A ideia é boa e merece ser testada. Mas ela esbarra num ponto técnico que decide tudo, e traz um bônus que ninguém esperava. Comecemos pelo bônus.
Isso vale a compra independentemente de você revender o módulo ou não. É o caminho mais barato para destravar o nosso próprio hardware.
O aplicativo não conversa com hardware genérico. Ele fala o MotoLink, um protocolo que nós definimos: quadro com CRC-16, autenticação por HMAC-SHA256, trava de mapa por chave, datalog num formato próprio, regras de segurança verificadas no firmware.
Nenhum módulo chinês fala isso. Então "colocar só o nosso app" não existe como atalho. Há exatamente três saídas, e elas custam coisas diferentes:
| Caminho | O que acontece com o nosso trabalho | Prazo |
|---|---|---|
| A. Eles fabricam a NOSSA placa recomendado a médio prazo |
Fica tudo: firmware (130 testes), protocolo, app, trava de partida, regras de segurança. Já temos lista de materiais, netlist e pinagem oficial — é contratar fabricação, não comprar produto. | 4 a 8 meses |
| B. Comprar pronto e negociar o protocolo depende deles |
O app sobrevive se eles implementarem o MotoLink ou entregarem a documentação do protocolo deles. Fabricante sério faz, por volume. O firmware nosso morre. | 2 a 4 meses |
| C. Comprar pronto e reescrever o app mais rápido, mais frágil |
Joga fora firmware e protocolo. O app vira uma interface para o protocolo deles — que pode ser fechado, mal documentado, e mudar sem aviso numa revisão de firmware. | 1 a 2 meses |
Vale olhar a sua própria página de vendas. Ela promete, hoje:
| Promessa | Sobrevive sem firmware próprio? |
|---|---|
| Trava de partida (imobilizador) | não — é recurso de firmware |
| Regras de segurança verificadas no módulo | não — você não controla o que ele aceita |
| Limite de 10% da linha Street | não — é o firmware que impõe |
| Datalog a 200 Hz no formato do app | talvez — depende do que ele expõe |
| Durabilidade: AEC-Q100, IP67, poliuretano | não — é a construção deles |
| Editor de 256 células, malha fechada | talvez — se o protocolo deixar |
| Aplicativo, marca, suporte em português | sim — isso é seu |
| Biblioteca de mapas para motos nacionais | sim — e é ativo de verdade |
O módulo tem rádio Bluetooth. Vender rádio sem homologação no Brasil é infração, e a homologação do fabricante chinês não transfere para você. Continua sendo R$ 7 a 20 mil e 45 a 90 dias — o mesmo custo do caminho próprio. Comprar pronto não pula essa etapa.
O cliente reclama com você. O defeito está num firmware que você não lê, de uma fábrica a doze fusos de distância. A queixa da concorrência que sua página ataca — falhas a partir de quatro meses — é exatamente o risco que você importa junto.
A maioria dos módulos chineses mira motos chinesas e indianas. "Funciona em CG 150" costuma significar o clone chinês, não a CG 160 injetada brasileira, que tem 33 vias, marcha lenta por motor de passo e unidade de sensores integrada. Isso se descobre comprando, não perguntando.
Dois ou três módulos, de fornecedores diferentes, no Alibaba ou Made-in-China. Procure por
motorcycle EFI ECU bluetooth app e programmable ECU motorcycle.
Muitos aceitam pedido de 1 peça.
O que perguntar ao vendedor antes de pagar, nesta ordem:
Instalar, dar partida, andar. Medir o sinal do sensor de rotação com osciloscópio enquanto o módulo funciona. Aqui você resolve o item nº 1 do projeto, com módulo comprado ou não.
Depois, escutar o Bluetooth dele com um analisador (nRF Connect, no celular) e ver se o protocolo é legível ou cifrado. Isso decide entre os caminhos B e C.
Com o módulo testado, a decisão deixa de ser opinião: