Estado do projeto TORQ

O que está pronto, o que falta e onde procurar. Escrito para ser lido por quem vai tomar decisão, não por quem já sabe o contexto.

Atualizado em 09 de agosto de 2026

Firmware
146/146
testes de integração, código real
Aplicativo
44/44
testes · analyze sem erros
Custo da placa
R$ 288
@100 un · R$ 244 @1.000
Bloqueadores
1
uma foto resolve

1. O que trava, e só isso trava

O padrão do gatilho no volante magnético. A ECU precisa saber onde o pistão está para centelhar na hora certa. Ela só tem os pulsos do sensor de rotação; o firmware converte pulso em ângulo. Se ele achar que há 12 dentes e houver 1, a conta erra por um fator de 12 — o motor não pega, ou pega e centelha adiantado sob carga. Isso fura pistão.

Três manuais oficiais foram lidos e nenhum responde. O capítulo do alternador tem o volante desenhado, mas é vista explodida de montagem: mostra o rotor pelo lado interno, não identifica nem cota o gatilho, e mais da metade da circunferência fica escondida. Ampliar a 900 dpi não resolveu.

O que resolve: uma foto do volante, tampa esquerda aberta, moeda ao lado para escala, duas ou três tomadas girando o motor. Cinco minutos numa oficina. Ver a ficha de medição.

O firmware não está parado esperando: ele já decodifica os dois padrões — roda de dente faltante (12-1, 24-2, 36-1) e ressalto único (1-0), este último coberto de 1300 a 9000 rpm com rampa.

E desde 09/08/2026 a ECU descobre o padrão sozinha. Em vez de abrir o motor e contar, ela mede o trem de pulsos do sensor e conclui — core/ecu_trigscan.c.

Como se usa: a moto roda com a ECU original. Liga-se o condicionador de sinal do nosso módulo em paralelo no fio do sensor de rotação, deixa em marcha lenta e lê o resultado. Nada é desmontado.

Se a roda tem falha, resolve sozinho: a falha é um intervalo bem maior que se repete uma vez por volta, e contando os pulsos entre duas falhas sai o padrão inteiro — com o rpm de brinde. Se não tem falha, os intervalos são todos iguais e é preciso uma rotação de referência: aí a marcha lenta de catálogo, 1.400 rpm, resolve por divisão.

Sem referência, ele responde "não sei" em vez de chutar. Um número inventado aqui vira centelha no ângulo errado.

Isso vale para qualquer moto da plataforma — XRE, Fazer, Factor — não só a CG 160. A foto do volante continua sendo o caminho mais rápido, mas deixou de ser o único.

2. O que a varredura resolveu

ItemSituaçãoFonte
Pinagem do ECM — 33 vias, todas as funções resolvido Manual de serviço oficial + tabela de oficina, conferidos entre si
Conector — Sumitomo 6189-7106, série 025, 3 fileiras de 11 resolvido É o mesmo da linha injetada Honda. US$ 8,95 avulso
Marcha lenta — motor de passo bipolar de 4 fios resolvido Diagrama PGM-FI: IACV1A/1B/2A/2B
Sensor de rotação — par diferencial blindado, pinos 12 e 23 resolvido Valida o condicionador de sinal já especificado
Curvas NTC do EOT e do IAT parcial Característica Honda publicada até 80 °C; acima disso extrapolado
Marcha lenta alvo — 1.400 ± 100 rpm resolvido Especificação oficial
Vazão do bico injetor falta O manual dá a vazão da bomba, não a do bico
Série do conector — versão header de placa parcial A carcaça de chicote está identificada; o header é sob encomenda
Duas divergências entre fontes, que precisam de multímetro. O manual de serviço põe o aquecedor da sonda no pino 33; a tabela de oficina põe no pino 22 e marca o 33 como sem função. Mesma coisa com o pino 13 (alimentação pós-chave no manual, "sem função" na tabela). Não é bloqueio — é um fio, e se mede com o multímetro em dois minutos.

3. Dois erros de projeto que a varredura pegou

O driver da marcha lenta estava errado. A válvula é motor de passo bipolar; a peça especificada era ponte H única, que aciona motor de corrente contínua. Com ela a marcha lenta simplesmente não funcionaria. Trocada. A ironia: o argumento de venda contra o concorrente era justamente "eles mandam remover o atuador de lenta, nós mantemos".

Ventoinha na lista de saídas. A CG 160 é refrigerada a ar — não existe ventoinha. Aquele canal foi para o aquecedor da sonda, que é carga real e estava faltando.

E um desperdício: dois canais de ignição e dois de injeção numa linha de motos inteiramente monocilíndrica. Viraram pé previsto não populado — o footprint fica na placa para quando entrar uma bicilíndrica, sem custar nada agora. R$ 320 → R$ 309, já incluindo o driver mais caro.

4. O que ainda não começou

FrenteEstadoO que falta
Layout da placanetlist pronta A netlist com 40 ligações já existe e é importável no KiCad. O roteamento de 6 camadas, o zoneamento de potência e o keep-out da antena são trabalho de quem desenha a placa.
Rádio homologadoa decidir Precisa ser escolhido antes de congelar o layout: muda footprint e keep-out. Módulos Espressif já têm certificação; o distribuidor no Brasil trata do processo.
Bancada Arduinonão montada R$ 810. Valida o firmware inteiro sem moto.
App no iPhonepronto para compilar Projeto configurado, permissões e Podfile prontos. Gerar o arquivo instalável exige macOS — não é limitação de configuração, é da Apple. Ver app/ios/COMO-COMPILAR.md.
Proteção do siteaberto Esta página, a BOM e o projeto de hardware estão públicos. Qualquer concorrente lê.

5. Lista de materiais congelada

As duas decisões pendentes foram tomadas em 09/08/2026, e a lista está fechada para contratar o layout.

DecisãoResultadoPor quê
Sensor de inclinação próprio (IMU) não populado −R$ 22,99 A moto já tem sensor de inclinação no pino 26, e ele basta para o corte por tombamento — que é o que a página de vendas promete. O footprint fica na placa: dá para popular quando ângulo em datalog e controle de wheelie forem vender alguma coisa.
Quatro canais de saída protegidos mantidos Os canais detectam carga aberta e curto, e é isso que sustenta a promessa de diagnóstico do app: "lâmpada queimada" e "bomba em curto" viram falha registrada. Cortar economizaria R$ 7,12 e derrubaria o argumento.

Resultado: 20 itens populados, R$ 285,63 a 100 unidades — 11% abaixo do ponto de partida, e isso depois de trocar o driver da marcha lenta por um mais caro e correto. Quatro pés ficam previstos sem popular: segundo cilindro (Q2, Q4), CAN (U12) e o IMU (U13).

6. O que vem agora

Ordem do caminho crítico.
1) A foto do volante — cinco minutos, destrava meses de firmware.
2) Escolher o módulo de rádio — precisa vir antes do layout, porque muda footprint e a área proibida de cobre em volta da antena.
3) Contratar o layout a partir da netlist, que já está pronta.
4) Montar a bancada (R$ 810) e validar o firmware sem depender de moto.