O manual de serviço oficial da Honda já resolveu a pinagem completa do
ECM, os conectores e o tipo de cada sensor. Sobrou uma coisa só — e é justamente a que
trava o projeto inteiro.
Resolvido pelo manual oficial — não precisa medir: o ECM tem 33 vias (bico no
16, bobina no 11, TPS no 5, MAP no 27, EOT no 24, IAT no 14, sonda no 3, bomba no 8); o
sensor de rotação é par diferencial blindado nos pinos 12 e 23, conector de 3 vias;
a válvula de marcha lenta é motor de passo bipolar de 4 fios; a moto é refrigerada a
ar, então o sensor de temperatura lê óleo e não existe ventoinha; a bobina de
ignição é externa, montada no quadro.
Atenção à versão. A ES não tem MAP, IAT, marcha lenta automática nem
conta-giros — só TPS, EOT, sonda, rotação e inclinação. A ESD/EX tem tudo. Anote qual
é a moto que você está olhando, porque o chicote muda.
Atenção ao termo "roda fônica". No varejo, na CG 160, isso costuma significar o
anel do ABS na roda — peça diferente. O que interessa aqui são os ressaltos do
volante magnético, no lado esquerdo do motor.
Prioridade 1 · sem isto, nada anda
Roda fônica
O projeto assume hoje o padrão 12-1 — doze dentes com um faltando — e
isso é hipótese, não medida. Se estiver errado, o motor não sincroniza, ou pior: sincroniza
deslocado e queima pistão. É o item número um há meses.
Mudou a pergunta (08/08/2026). Achei o manual de serviço do motor Honda
CG-125/150 (Hartford, licenciada Honda, 1999). Ele diz que a ignição é CDI, que o
gatilho fica no volante do alternador e que o pickup produz "um sinal" — e que
o módulo calcula o avanço pela rotação. O avanço vai de 15° a 1400 rpm até
32–35° a 3500 rpm: uma janela de ~20°, que é a assinatura de um ressalto largo
único, onde uma borda marca o avanço máximo e a outra o mínimo.
Ou seja: o padrão 12-1 que o projeto assumia provavelmente não está errado por um
número — está errado por categoria. Por isso não conte assumindo que existe um vão.
Olhe primeiro e descreva o que viu. Se houver um ressalto só, isso é a resposta esperada
— não é engano seu.
Por que ainda preciso que você olhe: aquele manual é do motor carburado de 1999.
A CG 160 é injetada, de 2016. O volante magneto é a mesma peça de catálogo nas duas, o que é
indício forte — mas indício não é medida.
A boa notícia: não precisa de osciloscópio. Basta remover a tampa do
volante magnético (lado esquerdo do motor) e olhar. E se a foto sair boa, ela sozinha já
responde tudo abaixo.
Gire o motor devagar na mão e conte. Respostas de 1 ou 2 são
esperadas e não significam que você contou errado.
Um vão só existe se as saliências forem igualmente espaçadas e uma estiver
ausente. Se houver só um ou dois ressaltos isolados num volante liso, não é vão.
Sim, há vãoNão — saliências isoladas em volante liso
Normalmente 1 ou 2, juntas
Meça o comprimento do arco com paquímetro ou fita, em mm — e o diâmetro
do volante. É disso que sai o ângulo, e o ângulo é o limite de avanço. Esperado: algo
em torno de 20°, que num volante de ~100 mm dá cerca de 17 mm de arco. Se der
muito diferente disso, é informação valiosa — anote o que mediu.
É o que diz o tipo do sensor, e muda o circuito de entrada da placa
2 fios — relutância variável (VR)3 fios — efeito Hall
Fotos necessárias — esta é a parte que mais importa. O volante
inteiro de frente, enquadrado por completo, com foco nas saliências; e o conector do
sensor. Ponha uma moeda de R$ 1 ao lado — serve de escala e vale mais que qualquer
descrição. Se der, faça duas ou três fotos girando o motor, para que a volta inteira
apareça. A foto sozinha resolve o item 1 do projeto, mesmo que todos os campos acima
fiquem em branco.
Não force nada. Se a tampa não sair fácil, pare e leve a uma oficina.
Um volante magnético mal remontado desalinha a referência de ignição, e aí você criou um problema
pior do que o que veio medir.
Prioridade 2 · decide preço e prazo
Conector da central original
O manual oficial já deu a contagem — 33 vias, em três fileiras de 11 — e
a função de todos os pinos. O que falta é o que o manual não diz e é justamente o que se
compra: fabricante, série e passo. A FuelTech já fabrica chicote espelho para esta moto,
então o conector existe no mercado: comprar um chicote deles resolve este bloco inteiro sem
desmontar nada.
Se der diferente, anote — a moto pode ser de outra versão
ConfereDiferente
Costuma estar em relevo na lateral ou no verso. Sumitomo, JST, Yazaki, TE,
Molex — copie exatamente como está, mesmo que pareça código sem sentido
É o passo. Valores comuns: 2,2 · 2,3 · 2,5 · 3,5
A cor costuma identificar a família e a vedação
Fotos necessárias: a face do conector de frente, bem iluminada e com
régua encostada; a lateral mostrando a trava; e qualquer marcação em relevo. Foto de frente
com escala vale mais que dez medidas escritas.
Prioridade 3 · define o case
A central original
Já sabemos que ela mora sob o banco, o que é boa notícia: longe do motor, com espaço. Falta o tamanho. O case atual está em 92 × 62 × 19 mm — com estas medidas eu digo se cabe no lugar original.
Medida
Valor
Referência TORQ
Comprimento
92 mm
Largura
62 mm
Altura (sem o conector)
19 mm
Distância entre centros dos furos
—
Diâmetro dos furos
—
Peso (se tiver balança)
118 g
Furos passantesAbas lateraisCinta de borrachaEncaixe em suporte
Isto muda a decisão de vibração: o projeto prevê fixar no quadro com coxim,
justamente por reduzir o perfil em uma ordem de grandeza. Se o lugar original for no motor, vale
repensar.
Sob o bancoAtrás do painelLateral do quadroPerto do motor
Fotos necessárias: a central instalada, mostrando o entorno e o espaço
livre; e ela solta, com régua ao lado, pelos quatro lados.
Prioridade 4 · só multímetro
Confirmação elétrica
Cinco medidas rápidas que confirmam ou derrubam premissas que já estão no
firmware. Chave desligada e conectores soltos para todas.
O que medir
Como
Medido
Projeto assume
Bobina — primário
Ohmímetro nos dois pinos do conector
0,49 Ω
Bico injetor
Ohmímetro nos dois pinos
~12 Ω
Sensor de temperatura do motor
Ohmímetro, com o motor frio
curva NTC
Temperatura ambiente no momento
Termômetro ou app do tempo
—
Sensor de rotação
Ohmímetro nos dois fios
VR: 100–1500 Ω Hall: aberto
A medida do NTC só vale com a temperatura junto. Resistência sem
saber a que temperatura foi lida não diz nada — é um ponto solto numa curva. Anote as duas.
Opcional · se tiver osciloscópio
Forma de onda do sensor de rotação
Confirma o que a contagem visual já disse, e revela o que ela não mostra:
amplitude na partida, ruído e qual borda usar como referência.
Ponta em 10×, terra da ponta no bloco do motor, fio de terra o mais curto possível
Ponta no sinal do sensor, sem desconectar o conector — espete por trás do vedante
Dê partida e capture uma volta inteira, com o vão da falha visível na tela
Anote a amplitude na partida (a menor de todas) e em marcha lenta
Um sensor de relutância entrega de 0,3 Vpp na partida a mais de
60 Vpp em alta rotação. Essa faixa enorme é a razão de existir um condicionador com limiar
adaptativo — e de um comparador de limiar fixo funcionar em marcha e falhar na partida.